27/06/2019

Portal Neuplast - Entenda os impactos dos canudos de plástico para a indústria de transformação plástica descartáveis

Várias cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, já proibiram o uso de canudos de plástico em restaurantes, bares, padarias, hotéis e outros empreendimentos comerciais que sempre utilizaram o utensílio. O motivo da restrição é a necessidade de preservação ambiental.

Afinal, quando descartados de forma irresponsável, os canudinhos plásticos poluem rios e oceanos, além de trazerem grandes riscos aos animais marinhos. No entanto, será que realmente esses objetos são os verdadeiros vilões?

O plástico é um importante elemento da chamada economia circular. Ao ser reciclado, ele se transforma em outros produtos e evita o uso de matérias-primas virgens. O grande problema não é o seu uso, mas sim a forma inadequada de descarte. Quer entender melhor o assunto e conferir a importância da conscientização ambiental? Então, acompanhe nosso artigo!

Descubra por que os canudos de plástico não são o problema
As iniciativas para banir os canudos plásticos não são exclusividade brasileira. Existe uma verdadeira onda global contra o uso do utensílio. O movimento começou em 2015, depois que um vídeo mostrando uma tartaruga marinha agonizando com um canudo preso em sua narina ganhou as redes sociais.

Em substituição aos canudos plásticos, surgiram utensílios em papel, inox, vidro e até bambu - todos bem mais caros do que os fabricados em material plástico e, com exceção do papel, que demandam cuidados extras com limpeza. Para limpá-los é necessário uso de água, um recurso finito, e sabão, que também contribui para a degradação de rios e mares.

Além desse detalhe, em muitos lugares o uso do canudo vem sendo substituído por copos descartáveis de plástico, que muitas vezes não têm destinação correta. Qual a vantagem ambiental, então?

Fica claro que o problema não é o material do canudo, mas sim a falta de conscientização sobre o descarte adequado. Os canudos plásticos são fabricados em polipropileno, que, quando reciclado, serve de matéria-prima para diversos produtos. Ou seja, o problema não é o objeto, mas a irresponsabilidade de quem não destina seus resíduos de forma correta.

A falta de conscientização afeta a todos
Da mesma forma que hoje crescem as restrições ao uso de canudos de plástico, há alguns anos houve um movimento para que os consumidores deixassem de utilizar sacolinhas plásticas. Embora as ações tenham levado a uma maior conscientização sobre o problema, as sacolas ainda continuam presentes no dia a dia das pessoas.

A poluição de rios e oceanos por produtos plásticos compromete a fauna e também a própria população que vive em tais áreas. Todo o ecossistema é prejudicado pelo descarte incorreto, a ausência de serviços de coleta seletiva e as deficiências dos programas de conscientização.

No litoral brasileiro, por exemplo, a maior parte do lixo marinho é composta por resíduos plásticos. Em rios que atravessam grandes cidades, como o Tietê, que passa por São Paulo, e alguns municípios do interior não é diferente. Ele deságua no Rio Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul, onde os resíduos afetam fortemente a vida das populações ribeirinhas.

As cidades de Salto, Santana do Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus, todas no curso do Tietê, recebem um enorme volume de lixo trazido pela água do rio. Em épocas de chuva, quando o nível do rio sobe, as comportas da barragem da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) são abertas, levando os resíduos a esses municípios.

As cidades, por sua vez, acabam se responsabilizando pela limpeza e comprometendo o espaço de seus aterros com resíduos gerados em outros locais. Além dessa obrigação, existe também grande preocupação com a espuma branca, um indício de esgoto doméstico não tratado, que se concentra especialmente em Salto.

Entre os principais resíduos encontrados nas águas do Tietê estão as garrafas pet e outros materiais plásticos. Muitas vezes, esses itens são levados das calçadas, onde aguardam recolhimento por serviços de coleta seletiva, para o rio, pela ação da chuva.

Fica claro, em casos assim, que o problema é também uma questão de política pública. Além da irresponsabilidade do gerador (no caso, o consumidor) que descarta de forma inadequada, também há a carência de um serviço eficiente de coleta e de trabalhos que visem a conscientização.

Conheça a importância do plástico para a indústria 
Como já dissemos, os resíduos plásticos são fundamentais para a indústria. Ao serem encaminhados para reciclagem, esses materiais se transformam novamente em matéria-prima e deixam de ser considerados resíduos poluentes.

Essa, aliás, é a base da economia circular, um modelo sustentável que mantém os produtos e materiais em ciclos de uso, eliminando resíduos e poluição. Assim, com a reciclagem, o plástico retorna para a cadeia produtiva, ganhando nova vida. Ao mesmo tempo, a indústria deixa de utilizar materiais virgens para fabricar outros produtos e o resíduo não polui o ambiente.

No entanto, para viabilizar a reciclagem do plástico, é necessário o engajamento de todos os elos dessa cadeia. As ações precisam envolver a indústria, o governo e os consumidores. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, esse é o conceito da responsabilidade compartilhada, ou seja, quando todos respondem pelo ciclo de vida dos produtos.

Em vários segmentos industriais, os resíduos plásticos reciclados são insumos importantes. Seu uso reduz custos de produção, sem causar impactos ambientais. Vale destacar que os plásticos podem ser utilizados em substituição a diversos outros materiais, como aço, madeira ou vidro, para fabricação dos mais variados produtos.

O plástico já é utilizado na indústria automotiva, na construção civil, na fabricação de móveis, brinquedos, embalagens e até em redes de água e esgoto, ajudando a garantir a impermeabilização do solo em aterros sanitários.

Com exceção dos materiais usados nas redes de esgoto, que sofrem contaminação, todos os demais podem ser novamente reciclados, o que aumenta o ciclo de vida da matéria-prima. Porém, para que isso seja possível, é necessário que os materiais sejam destinados corretamente.

Conforme dados do Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PicPlast), apenas 26% dos materiais plásticos consumidos no Brasil, em 2018, foram encaminhados para reciclagem. Existe um enorme potencial de mercado para essa atividade, mas o seu grande gargalo é a ineficiência da coleta seletiva.

Assim, como você pode perceber, a questão dos canudos de plástico precisa ser analisada com um olhar mais crítico. A culpa da poluição ambiental e do excesso de resíduos plásticos em mares e oceanos vai muito além do uso do utensílio. É fundamental que a população e os gestores públicos tenham maior comprometimento com políticas sustentáveis.

Gostou de conhecer um pouco mais sobre a importância do plástico na indústria? Então, compartilhe esse texto agora mesmo em suas redes sociais e contribua para criar uma cultura de maior consciência ambiental.