29/10/2019

Finalista do Global Teacher Prize 2019 apresentou os resultados do projeto que desenvolveu com alunos da rede pública de São Paulo

A tecnologia aliada à reciclagem é um instrumento fundamental para a educação
A educação é o meio mais eficiente para promover a reciclagem, sobretudo em comunidades carentes com pouca infraestrutura. Essa foi a principal mensagem compartilhada pela professora e pesquisadora Débora Garofalo, uma das palestrantes do Recycling Talk Show e finalista do Global Teacher Prize 2019, considerado o Prêmio Nobel da educação.

A professora, que atualmente é assessora de Tecnologias da Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo, falou aos presentes no evento sobre o projeto de reciclagem e robótica que desenvolveu no bairro Cidade Leonor, na zona Sul de São Paulo, onde a renda da população está entre as mais baixas do município.

Mesmo sem ter o apoio da direção da escola e de alguns colegas de profissão, a professora ressaltou o engajamento dos alunos no projeto e de como a comunidade da região acabou se envolvendo. "A programação, a robótica e a inteligência artificial permearam o nosso dia a dia. Os alunos se envolveram nessa proposta. Trabalhar a tecnologia é trabalhar o futuro", opinou a professora.

Débora Garofalo ressaltou ainda que o engajamento dos alunos acabou por envolver também seus familiares. "Um pai me disse que começou a praticar a separação e a reciclagem em casa, mesmo sem ter contato com o assunto antes", contou ela.

Inspiração

A professora destacou ainda alguns dos principais resultados do projeto, como a diminuição do lixo descartado de forma incorreta nas ruas da comunidade. "Mais de uma tonelada de lixo reciclável e eletrônico saiu das ruas e foi transformado em materiais para praticar robótica ou teve um novo e adequado destino".

A professora contou também que o projeto ajudou a inspirar os alunos a aprender mais de um modo geral, como foi o caso de um deles que, aos 13 anos, tinha dificuldade em ler e escrever e tomou a iniciativa de pedir ajuda a ela depois das aulas regulares. Débora apontou ainda o despertar do interesse pela ciência nas meninas. "Temos que incentivar a formação de cientistas mulheres nas escolas públicas. Precisamos ajudar a aumentar a presença feminina nessa área do conhecimento", finaliza ela.

CRÉDITO: Global Teacher Prize