24/08/2017

DCI - Cadeia de produção de plásticos se reinventa e forma polo no RJ

São Paulo - Um grupo de empresas de pequeno e médio porte vem driblando as dificuldades econômicas e está formando um novo polo do setor plástico no Estado do Rio de Janeiro.

Produzindo tampas, peças de nylon e caixas para artigos eletrônicos plásticos, a Hirundoplast investiu R$ 800 mil - por meio de uma linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - para desenvolver novos produtos, ao invés de esperar pela recuperação econômica, em meio à crise que assola não só o País, mas, sobretudo o Estado do Rio de Janeiro, diz o diretor da empresa, Eduardo Schanuel

"A situação econômica é preocupante, mas não poderíamos ficar parados", avalia.

De acordo com ele, após identificar que haveria demanda para a venda de tampas plásticas de garrafas de água, a empresa decidiu apostar em um novo ramo do negócio. "Já tínhamos ideia de fabricar algo diferente e partimos para a elaboração de um plano de ação. Caso contrário, poderíamos ser engolidos pela crise", comenta. A expectativa do executivo é de que essa nova linha de produtos possa impulsionar o faturamento da companhia no próximo ano.

A Ultrax Pack inovou para enfrentar o cenário desafiador, segundo o diretor financeiro da empresa Gustavo Marques, e firmou parceria com uma transportadora que está ajudando na redução do custo logístico. A fabricante ainda desenvolveu uma nova embalagem de proteção plástica para fechar malas despachadas em aeroportos, com custos mais reduzidos. "Passamos a rever nossos custos, processos de compras e a operação como um todo", destaca Marques. A empresa passou a atuar também em São Paulo e no Espírito Santo.

A próxima etapa da Ultrax Pack será a exportação de filme stretch. "Estamos nos solidificando no mercado interno para que, no final de 2018, possamos buscar nova frente de negócio, como no exterior", afirma. Conforme ele, mesmo em meio à crise econômica, as vendas da empresa cresceram 50% no passado em relação a 2015, para mais de R$ 3,5 milhões.

Na mesma linha, a Nova A3 decidiu apostar em novos segmentos de produtos para ampliar seu faturamento. O gerente de Supply Chain da empresa, Rogério Lima, conta que a fabricação das luvas plásticas era direcionada apenas ao ramo de cosméticos, onde a empresa distribui o produto para os principais fabricantes de tintas para cabelo. "Na crise, o melhor é criar, pensar fora da caixa", comenta Lima. Dessa forma, o primeiro passo foi expandir a atuação para novos segmentos. Os escolhidos foram o veterinário e o farmacêutico.

Para reduzir custos, a mesma linha de produção foi adaptada, gerando um aumento não só do faturamento como da margem de lucro. A intenção da empresa agora é expandir mais seu portfólio na linha de plásticos, como de luvas para outras áreas e sacos de lixo. Outra frente são as exportações, cujos produtos já chegam ao México e à Argentina - e a expectativa é a de atingir também os Estados Unidos. "Nossa exportação era pequena, mas agora começamos um trabalho intenso para a venda ao exterior", conta, reforçando que as vendas para fora do País devem crescer entre 15% e 20% no curto prazo. O faturamento da empresa por funcionário cresceu 13% no passado e a receita total atingiu um patamar de R$ 25 milhões.

PICPlast

Em comum entre as empresas acima está a participação no Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast) e a localização: a cidade de Três Rios (RJ), que está se transformando num novo polo do setor plástico. A região Centro-Sul fluminense conta com um complexo industrial gás-químico, localizado em Duque de Caxias, da Braskem, empresa que se associou à Associação Brasileira do Plástico (Abiplast) e lançou em 2013 o programa. A intenção é capacitar as pequenas e médias indústrias de transformação plástica, para competir no mercado nacional e, posteriormente, no exterior. "Trabalhamos no aperfeiçoamento dos processos operacionais e financeiro das empresas", diz a coordenadora do projeto de encadeamento produtivo do Sebrae, Andrea Lopes. A instituição é responsável pelos treinamentos.

No ano passado em relação a 2015, ela destaca que as dez empresas que participaram da última edição do PICPlast, do polo de Três Rios, obtiveram ganhos de 21% no faturamento por funcionário, alta de 5% da lucratividade, redução de 21% do grau de dependência dos dois maiores clientes e a ampliação de 8% na pontualidade das entregas.

"A ideia é estimular o próximo elo da nossa cadeia", diz o diretor de marketing da Braskem, Rafael Christo. Na visão dele, Três Rios "está se transformando em um novo polo do setor plástico". Em capacitação, a empresa aplicou R$ 15 milhões, desde 2013. Além do Sebrae, para os treinamentos das pequenas empresas, a petroquímica capacita médias empresas, em parceria com a Fundação Dom Cabral. A empresa atua em programas regionais também na região Sul e Nordeste, além de São Paulo, no Sudeste.

Matéria publicada no DCI em 17 de agosto de 2017