Vamos conversar sobre compliance? Melhor falarmos de mecanismos de integridade

09/10/2018

Nunca se tratou tanto de ética e transparência no Brasil. Com a superexposição de fraudes e escândalos nos últimos anos, a partir da assinatura da Lei Anticorrupção e da intensificação das investigações da Operação Lava Jato em 2014, o universo empresarial passou a dar ainda mais atenção às boas práticas administrativas em todos os níveis. Desde que a lei foi promulgada, os setores financeiros e administrativos das empresas em todo o país estão sendo colocados à prova para identificar casos de má conduta e violação das normas, levando gestores a tomarem decisões estratégicas importantes sobre como inverter esses tipos de situação. 

A adesão cada vez maior dos chamados programas de compliance acabou por provocar a evolução dessas normas de conduta e muitas empresas passaram a criar processos personalizados, baseados em características próprias de sua posição e segmentação no mercado. Independentemente dos setores em que atuam, a implementação de regras rígidas de conduta está na ordem do dia para boa parte das instituições. 

Discutir conceitos de compliance e entender como suas aplicações podem ser benéficas ao ambiente corporativo são ações cada vez mais comuns hoje em dia e essa progressão levou ao que são reconhecidos atualmente como mecanismos de integridade, conceitos mais profundos que elevam o conjunto de boas práticas a algo mais além, como explica o consultor da Compliance Total, Wagner Giovanini: "Falar de integridade é avançar um pouco na questão do simples cumprimento da lei, como é o caso do compliance. A integridade deve ser compreendida como um conceito maior porque também trata do bom senso e de seguir a ética à risca, independentemente de normas escritas e regras estabelecidas", afirma.

Para poder exercer na prática os chamados mecanismos de integridade, é preciso que a empresa possua todos os elementos que a capacitem para tanto, integrados em 16 pontos fundamentais como explicitadas no Decreto que regulamenta a lei anticorrupção. Em uma linguagem coloquial, Wagner explica esses elementos como se fosse uma mesa, com 4 pernas. "Resumidamente, cada perna significa um aspecto de sustentação e todas devem ser efetivas para o mecanismo funcionar de verdade: "o dono quer fazer o certo", "todos os funcionários sabem o caminho", "se alguém se desviar, o canal de denúncia irá cumprir o seu papel" e, finalmente, "a investigação irá apurar os fatos para, se a denúncia for comprovada, as consequências serem aplicadas".

"A perna principal é o dono e a alta direção que precisam querer fazer a coisa certa. Já a segunda perna está representada pelo grupo dos funcionários que são responsáveis pela disseminação dos códigos de conduta e dos treinamentos de todos os profissionais. O funcionamento de um canal de denúncia que esteja ao alcance de todos é a terceira perna de sustentação e a quarta garante que tudo isso funcione, disseminando a credibilidade do sistema".

A realidade brasileira está em transformação, apesar de muitas companhias no Brasil ainda operarem com certa imaturidade nesse sentido. Para Wagner, essa evolução de comportamento público e privado é fundamental para levar a indústria brasileira a um patamar mais maduro e desenvolvido: "Nessa nova configuração do cenário brasileiro, as empresas estão montando seus próprios mecanismos de integridade, ajustando-se à tendência mundial, além de incentivar a todos em sua cadeia a fazerem o mesmo. Isso tudo serve para reduzir o risco de ocorrências entre todos e o Brasil só tem a ganhar com essa evolução". 

Workshop sobre Complianceé uma das atrações da Semana do Plástico no ES

A cidade de Vitória será sede da décima primeira edição da Semana do Plástico no Espírito Santo, a partir do dia 22 de outubro. O evento acontece no bairro de Santa Lúcia, na capital capixaba, até o dia 27 e contará com a presença do especialista Wagner Giovanini como mediador do workshop "Compliance como diferencial para a competitividade", parte integrante da capacitação para empresários promovida pelo PICPlast.

Além de palestras técnicas, minicursos e atividades 'Plastikids', voltadas para as famílias dos colaboradores das indústrias da região, o evento traz também a palestra "Perspectivas da Economia para o Setor de Transformados Plásticos", ministrada por Marcos Nascimento, assessor econômico da Abiplast. Saiba mais sobre o evento em http://sindiplastes.org.br